Associação Brasileira de Horticultura | Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018  
 
 
 
 



VIROSES EM ALHO NOBRE:IDENTIFICAÇÃO,ESTABELECIMENTO DE MÉTODOS EFICIENTES PARA OBTENÇÃO DE PLANTAS LIVRES DE VÍRUS,SELEÇÃO DE CLONES ASSINTOMÁTICOS...
Autor: Marcelo Agenor Pavan

O alho (Allium sativum L.) propaga-se vegetativamente. Dai sua facilidade em acumular vírus. Uma das formas de se evitar doenças viróticas em espécies de propagação vegetativa, é a obtenção de plantas sadias e multiplicação em condições que previnam as reinfecções.

Portanto, o presente trabalho teve, dentro dos alhos nobres, os objetivos: identificar os vírus que ocorrem em alho no Brasil; desenvolver uma metodologia ideal para a recuperação de plantas livres de vírus, via termoterapia e cultura de tecido; avaliar a possibilidade de aclimatização de microbulbilhos livres de vírus e comparar, em primeira geração em condições fitossanitárias controladas, a capacidade produtiva e a qualidade do alho livre do infectado por vírus.

Em inspeções realizadas nos campos das principais regiões de produção comercial de alho do Brasil, foram constatadas, em observações visuais de sintomas, embora variável, que ocorriam até 100% de plantas infectadas. Foram coletadas 586 amostras e os resultados de testes em plantas indicadoras, sorologico, exames em microscópio eletrônico indicaram a presença dos Potyvirus: "Garlic yellow stripe virus", como predominante; "Onion yellow dwarf virus"; e "Leek yellow stripe virus"; dos Carlavirus: "Garlic common latent virus"; "Shallot latent virus"; e "Carnation latent virus".

Os resultados obtidos evidenciaram a possibilidade de se utilizar a termoterapia pré-cultura de tecido. Tratamentos com água quente (48°C/60', para cv. Quitéria; 50°C/30', para cv. Caçador) ou com ar quente (40°C/45 dias + pré-secagem, para ambas cultivares) não foram suficientes para eliminar integralmente os vírus do complexo. Mas, permitiram obter meristema para cultura in vitro e com possibilidade de se alcançar maior proporção de plantas livres de vírus.

Na obtenção de plantas livre de vírus através de termoterapia e cultura de tecido, as cvs. Caçador e Quitéria tiveram comportamentos distintos. Os valores de sobrevivência dos meristemas cultivados in vitro variaram entre 57 e 64%, 45 e 64%, e resultaram entre 41 e 94%, 31 e 83% de plantas livre de vírus, para as cvs. Caçador e Quitéria, respectivamente. Quando não se fez tratamento térmico dos bulbilhos, a porcentagem de sobrevivência dos meristemas variaram entre 72 e 83% e resultaram entre 13 e 21% de plantas livres de vírus, para as cvs. Caçador e Quitéria, respectivamente. Microbulbilhos maiores, obtidos in vitro, resultaram uma maior capacidade de aclimatização e um maior número de plantas livres de vírus.

A comparação da produção de alho livre de vírus com infectado, na primeira geração, mostrou maior capacidade produtiva do alho livre de vírus, quando comparada com o alho-semente do produtor. Um aumento na produção, da ordem de 67 e 71%, foi obtido com emprego de alho-semente livre de vírus para as cvs. Caçador e Quitéria, respectivamente. Ficou evidente ainda, quando comparado com a semente do produtor, que o emprego de clones assintomáticos selecionados no campo promove um aumento significativo na qualidade e na produção total, na ordem de 15 e 30%, para as cvs. Quitéria e Caçador, respectivamente. Do ponto de vista prático, a utilização pelo produtor de clones selecionados no campo é viável, por apresentar menor custo, maior capacidade de aclimatização, maior produtividade e melhor qualidade.


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