Associação Brasileira de Horticultura | Domingo, 21 de Janeiro de 2018  
 
 
 
 



PRODUÇÃO NAS ALTURAS
Autor: Paulo César Tavares de Melo
Com o título de segunda cidade mais alta do país, Senador Amaral, em Minas Gerais, se destaca pelo excelente clima e pela importância enquanto pólo produtor de hortaliças.


Localizado na microrregião de Pouso Alegre, no maciço da Serra da Mantiqueira e ao sul de Minas Gerais, o município de Senador Amaral, com 1505 m de altitude, foi instalado há apenas 16 anos e tem uma população de 5051 habitantes (censo de 2007). A cidade sede do município ostenta os títulos de a mais alta do estado de Minas Gerais e a segunda do Brasil. Devido a essa condição, é uma das cidades mais frias do Estado e ou da região Sudeste, com temperaturas máximas e mínimas entre 26 °C e -5 °C. A temperatura média anual é de 18,2 °C, apresentando verões amenos e úmidos e invernos frios e secos.

O contorno das montanhas e o verde contrastando com o céu azul criam uma paisagem deslumbrante para quem percorre os 20 quilômetros tortuosos entre a rodovia Fernão Dias, na altura de Cambuí, e a cidade de Senador Amaral. A vegetação é exuberante, com núcleos de araucárias ou pinheiros-do-paraná, que dão um toque especial de cartão-postal à paisagem.

Ao se aproximar do município, o cenário muda com as diferentes tonalidades de verde dos cultivos de hortaliças que começam a ser vistos por todos os lados e até aonde a vista alcança.

Levantamento de 2005 mostra que, entre os principais setores da atividade econômica do município, o valor adicionado da agropecuária responde por 47 %, sendo a olericultura um dos setores de maior contribuição. Não é à toa que Senador Amaral é hoje considerado um dos mais importantes pólos de produção de hortaliças da região Sudeste. O carro-chefe é a cultura de batata, com cerca de 570 ha, seguida por brócolis (350 ha), morango (220 ha), ervilha-torta (180 ha), couve-flor (120 ha), abobrinha (80 ha), raiz forte (50 ha), mandioquinha-salsa (40 ha) e ervilha em grãos frescos (15 ha). Merecem registro, ainda, a produção de frutas vermelhas (amora, framboesa e mirtilo) com 12 ha, ameixa (8 ha), caqui (5 ha), uva niagara (2 ha), além da produção de flores em ambiente protegido.

O estado de Minas Gerais é o maior produtor de batata do Brasil, com produção anual de 1,2 milhão de toneladas, representando 33 % do total da produção nacional. Na região Sul de Minas, a cultura da batata assume importância socioeconômica relevante, contando com 2600 produtores que exploram 21 mil hectares. O módulo médio é de 8,07 ha para cada bataticultor, o que caracteriza um empreendimento tipicamente familiar gerando, apenas no setor produtivo, de 3 a 4 empregos diretos por hectare/ano. As condições diferenciadas de solo e clima permitem o cultivo da batata o ano todo, o que favorece a regularidade da oferta no mercado, a fixação do homem no campo e a movimentação da economia dos municípios da região. Outra vantagem da região é sua localização geográfica favorável à comercialização, uma vez que se situa próxima dos maiores centros de consumo do Sudeste.

A cultura do brócolis ocupa a segunda posição entre as oleráceas cultivadas em larga escala, gerando renda e emprego para o município. Indiscutivelmente, a elevada altitude, que propicia clima ameno o ano todo, favorece o cultivo dessa brassicácea em Senador Amaral. A atividade teve início há poucos anos, com a vinda de produtores da região de Campinas, SP, que plantam cultivares de brócolis de cabeça única (tipo americano). Nas condições climáticas locais, esse tipo de brócolis produz cabeças de alto valor comercial devido à melhor qualidade. De fato, se observou nas lavouras visitadas, a uniformidade na formação de cabeças de cor verde-escura, em média de tamanho grande (1,0 a 1,2 kg) com granulometria fina dos floretes, detalhe importante para congelamento. Esses fatores contribuem para ampliar a vida de prateleira do produto que é escoado, principalmente, para o mercado paulista, onde é comercializado ao natural ou congelado.

Entre as oleráceas produzidas em Senador Amaral, o morango é a terceira em ordem de importância e, juntamente com a produção de outros municípios da região, conferem ao estado de Minas Gerais o primeiro lugar no ranking nacional de produção dessa hortaliça-fruto, com cerca de 750 ha e produção anual de 52,6 mil toneladas. A área cultivada vem se expande ano após ano, graças às condições climáticas favoráveis e à boa rentabilidade que a cultura proporciona. Na atualidade, são encontradas no município algumas das lavouras mais tecnificadas de morangueiro do Brasil. Dos 220 ha cultivados anualmente, 130 são em ambiente protegido, em túneis baixos, onde são utilizados mulching plástico e irrigação subterrânea por gotejamento. O sucesso do cultivo dessa hortaliça é atribuído aos produtores, sempre atentos ao que há de mais avançado em termos de tecnologia para a cultura, e às empresas envolvidas diretamente com a cadeia produtiva, como a EMATER, EPAMIG, IMA e as do setor provedor de insumos. Além de atender ao consumo na região, o produto é escoado para os grandes mercados atacadistas do Sudeste.

O colunista esteve em visita a Senador Amaral no final de novembro passado, sendo recebido pelo Prefeito Herculano de Freitas Baião, ao qual expressa gratidão pela gentil acolhida. Da mesma forma, manifesta agradecimentos aos engenheiros agrônomos José Daniel Ribeiro (ABASMIG-FRIGOBATATA), Raúl Maria Cássia (EMATER-MG), Dr. Joaquim Gonçalves de Pádua, pesquisador do Núcleo Tecnológico EPAMIG Batata e Morango, de Pouso Alegre, MG, produtores Lairton Antonio de Almeida e Vicente Carlos da Silva, pela atenção e organização das visitas à região de produção de hortaliças do município.

Além da força do agronegócio de hortaliças, Senador Amaral, por sua abençoada natureza, tem a vocação inata para se converter em um futuro próximo em uma atrativa estância climática do estado de Minas Gerais.


Paulo César Tavares de Melo
Presidente da ABH

Fonte: Revista Cultivar HF, dezembro 2009-janeiro 2010, Ano VIII, Nº 59, p.35.


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