Associação Brasileira de Horticultura | Domingo, 21 de Janeiro de 2018  
 
 
 
 



REPRESENTATIVIDADE INTERNACIONAL
Autor: Paulo César Tavares de Melo / Leonardo da Fonte
Brasil retorna à condição de membro oficial do Conselho Mundial do Tomate para processamento Industrial (WPTC) e lança candidatura para sediar 12º Congresso Mundial de Tomate Industrial, na cidade de Goiânia, em 2016


O Brasil é pioneiro no processamento de tomate na América Latina, tendo essa atividade iniciado em 1928 no agreste pernambucano.

No ranking mundial, o Brasil ocupa a oitava posição entre os maiores produtores de tomate para processamento e a pujança da cadeia agroindustrial está baseada no tamanho do mercado interno. As mudanças recentes dos hábitos de consumo da população brasileira têm contribuído para a expansão da demanda de alimentos processados entre os quais estão os derivados de tomate. Hoje, é o segmento mais importante da indústria agroalimentar brasileira.

No período 2006-2009, a produção e a área plantada médias foram de 1.217.000 t e 17.645 ha, respectivamente, com rendimento médio de aproximadamente 70 t/ha.

Na atualidade, o maior pólo agroindustrial do tomate do Brasil se localiza no cerrado goiano onde se encontram instaladas 14 das 24 plantas fábricas que processam tomate no país. A expansão do cultivo do tomate industrial no Centro-Oeste proporcionou notáveis mudanças nos setores de produção e de processamento.

Um fato digno de nota foi o retorno do Brasil à condição de membro oficial do Conselho Mundial do Tomate para Processamento Industrial (WPTC) em reunião da junta diretiva dessa entidade realizada Portugal, em 20 de junho passado.

É importante salientar que entre os países que lideram a produção de tomate industrial, o Brasil é o único grande produtor mundial que não se encontra representado no WPTC.

O WPTC, com sede na França, é uma organização internacional sem fins lucrativos que representa a indústria de processamento de tomate. Atualmente, os seus membros representam mais de 95 % do volume de tomate processado em todo o mundo. A entidade congrega produtores e/ou processadores de organizações representativas da sua área de produção. Os objetivos gerais do Conselho são os seguintes:

a) Criar vínculos permanentes entre produtores e/ou organizações de processadores de tomate, a fim de coordenar ações visando salvaguardar os seus interesses;

b) Estudar e recomendar aos seus membros qualquer ação destinada a organizar melhor os mercados e favorecer a concorrência leal;

c) Empreender qualquer ação com a concordância de seus membros, com vista a promover o aumento do consumo de derivados de tomate.

No âmbito do Conselho foram criadas três comissões para discutir temas de interesse de seus membros:

a) Intercâmbio de informações - a principal tarefa consiste em coletar e analisar informações sobre a produção e o consumo de derivados de tomate e proceder a sua divulgação entre todos os seus membros;

b) Tomate & Saúde - encarregada de analisar as informações publicadas sobre os benefícios à saúde dos produtos à base de tomate e coordenar o esforço empreendido por associações individuais em seus mercados nacionais visando o aumento do consumo global de derivados de tomate;

c) Legislação internacional - criada para que representantes do Conselho possam participar ativamente das reuniões do Comitê do Codex Alimentarius e expressar a opinião de seus membros.

A estrutura do WPTC está organizada em três grupos geográficos correspondentes às principais zonas de produção de tomate para processamento industrial: a região do Mediterrâneo (AMITOM), a região da América do Norte e outros países da qual o Brasil faz parte. Cada região tem um presidente e um delegado. Paulo César Tavares de Melo, presidente da Associação Brasileira de Horticultura e professor da USP/ESALQ/Departamento de Produção Vegetal, foi designado como delegado oficial do Brasil no WPTC.

A iniciativa para o Brasil retornar ao WPTC deveu-se aos esforços de um grupo constituído por representantes dos setores de processamento e de produção de matéria-prima de tomate, viveiristas, empresas de sementes, Embrapa Hortaliças, Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Goiás (SEAGRO), Universidade Federal de Goiás (UFG), Associação Brasileira de Horticultura (ABH), Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) e da Win Central de Eventos. Durante o III Congresso Brasileiro de Tomate Industrial, realizado em Goiânia, de 26 a 28 de novembro de 2009, o grupo reuniu-se com representantes do WPTC e ficou decidida a criação de uma entidade para representar os interesses do setor agroindustrial do tomate de Goiás. Essa entidade foi estabelecida graças aos esforços da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (FAEG) através da Comissão Tomate.

Na reunião da junta diretiva do WPTC realizada em junho passado em Estoril, Portugal, o delegado do Brasil no WPTC apresentou a candidatura do Brasil para sediar o 12º Congresso Mundial de Tomate Industrial na cidade de Goiânia em 2016.

Paulo César Tavares de Melo
Presidente ABH

Leonardo da Fonte
Gerente Regional de Vendas América Latina e Central - HeinzSeed


Fonte: Revista Cultivar HF, agosto-setembro 2010, Ano IX, Nº 63, p.31.


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