Associação Brasileira de Horticultura | Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018  
 
 
 
 



A PRODUÇÃO DE FEIJÃO-CAUPI COM INOCULANTES
Autor: José Oscar Lustosa de Oliveira Júnior
Na região Meio-Norte do Brasil, o feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.) é cultivado basicamente em regime de subsistência, principalmente por sua ampla adaptação à diferentes condições edafoclimáticas. Um dos grandes gargalos na cadeia produtiva desta leguminosa é a produção de sementes. Apesar de não apresentar alto custo de produção de sementes em comparação com outras culturas como milho e arroz, poucos produtores utilizam tecnologias avançadas nos seus sistemas de produção.

Uma das tecnologias mais recomendadas para o sistema de produção de sementes de feijão-caupi, é a utilização de inoculantes para a fixação biológica de nitrogênio. Este processo baseia-se na associação das plantas de feijão-caupi à bactérias do gênero Bradyrhizobium, em que o nitrogênio é obtido por simbiose, sendo uma forma ecológica e economicamente sustentável para se obter aumento no rendimento de sementes e grãos.

O processo da utilização de inoculantes para favorecer a fixação é uma prática agrícola muito utilizada. No entanto, a resposta da planta à inoculação é determinada por uma variedade de fatores bióticos e abióticos, que podem influenciar de forma positiva ou negativa os resultados de produção. Com o avanço das pesquisas e recomendação de estirpes específicas para a cultura, minimizando alguns riscos, este processo passou a ser uma alternativa viável para a substituição, total ou parcial, dos adubos nitrogenados, desde que supra a cultura com o nitrogênio necessário para o seu crescimento e desenvolvimento, além de diminuir os custos de produção e economizar combustíveis fósseis utilizados para a fabricação de fertilizantes nitrogenados.

A utilização da fixação biológica de nitrogênio apesar dos seus benefícios, econômicos ou ambientais, ainda é pouco utilizada pelos produtores da Região Meio-Norte. Este fato tem sido modificado nos últimos anos, com acréscimo de extensas áreas cultivadas com a cultura do feijão-caupi pela agricultura empresarial, bem como, com a difusão do uso da tecnologia de inoculação com estirpes de Bradyrhizobium, e consequente redução na utilização dos insumos nitrogenados. Atualmente estão disponíveis no mercado estirpes recomendadas para a cultura do feijão-caupi, como a BR 3267 (SEMIA 6462) e a BR 3262 (SEMIA 6464).

A utilização de inoculantes disseminada para a cultura do feijão-caupi por meio dos produtores do agronegócio, não impossibilita que os produtores familiares façam uso desta tecnologia, considerando-se que é uma prática de baixo custo. A quantidade utilizada do inoculante (200 gramas para 50 quilos de sementes), com custo aproximado de R$ 3,00 para uma dose de 250 gramas, é um valor muito pequeno no custo de produção da cultura, não onerando o produtor rural, além de contribuir para a redução dos problemas ambientais, causados pelo constante aumento de uso dos fertilizantes nitrogenados.

José Oscar Lustosa de Oliveira Júnior
Pesquisador da Embrapa Meio-Norte
oscar@cpamn.embrapa.br

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