Associação Brasileira de Horticultura | Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018  
 
 
 
 



CONTRIBUIÇÃO EFETIVA
Autor: Paulo César Tavares de Melo
Há três décadas a Embrapa Hortaliças é protagonista do desenvolvimento de soluções produtivas que impulsionam o crescimento e a sustentabilidade da olericultura, ajudando a consolidar o segmento como um dos mais relevantes do ponto de vista socioeconômico do agronegócio do País


Em 19 de maio passado, a Embrapa Hortaliças, Brasília, DF, comemorou 30 anos de existência. O ponto alto da solenidade foi a homenagem prestada ao Prof. Dr. Flávio Augusto D'Araújo Couto, responsável pela criação dessa unidade de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Embrapa. É importante destacar que, 20 anos antes, Flávio Couto foi o mentor da criação da Sociedade de Olericultura do Brasil (SOB), hoje Associação Brasileira de Horticultura (ABH), na Escola Superior de Agricultura da Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (ESA/UREMG), atualmente Universidade Federal de Viçosa (UFV).

A criação da SOB/ABH e do CNPH/Embrapa Hortaliças contribuíram decisivamente para mudar os rumos da olericultura nacional. Deve ser lembrado que, até o final da década de 1950, o abastecimento de sementes de hortaliças no Brasil dependia quase que exclusivamente de importações da Europa e dos Estados Unidos. Nessa época, as atividades de pesquisa com hortaliças restringiam-se a poucas instituições com destaque aos programas existentes na Estação Experimental Fitotécnica Domingos Petrolini, Rio Grande, RS, na Seção de Olericultura do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Campinas, SP, e no Setor de Melhoramento de Hortaliças do Instituto de Genética da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Piracicaba, SP. Como resultados desses programas foram lançadas ao longo da década de 1960 muitas cultivares de alface, tomate de mesa, abóbora, repolho, couve-flor, couve-brócolos do tipo ramoso, quiabo, morango, cebola, entre outras adaptadas aos agroecossistemas das zonas de climas subtropical e tropical do país. Essas cultivares foram essenciais à expansão da área cultivada com hortaliças nas diferentes regiões geográficas do Brasil. Além disso, contribuíram para incentivar a criação das primeiras empresas genuinamente nacionais de produção de sementes de hortaliças, reduzindo a dependência da importação de sementes de hortaliças.

A olericultura nacional foi ainda mais impulsionada entre as décadas de 1970 e 1980, com o estabelecimento de novos programas de melhoramento genético de hortaliças tanto no setor público quanto no privado. Na Embrapa, as atividades de melhoramento genético de hortaliças foram iniciadas em 1974, com a criação da Unidade de Pesquisa de Âmbito Estadual (UEPAE de Brasília), localizado a cerca de 40 km do centro de Brasília, DF. O professor Flávio Couto, na função de assessor do Departamento Técnico-Científico da Embrapa, assumiu o desafio de adequar a UEPAE de Brasília com vistas a sua transformação em mais um Centro Nacional de Pesquisa da Embrapa. Desse modo, em 29 de maio de 1981, o Centro Nacional de Pesquisa de Hortaliças (CNPH) foi inaugurado e o professor Flávio foi empossado como chefe geral, exercendo essa função de 1981 a 1985. Em 1997, o CNPH passou a ser designado de Embrapa Hortaliças.

Desde a sua criação, a Embrapa Hortaliças busca a incorporação de soluções apropriadas ao sistema produtivo de hortaliças que contribuam para o desenvolvimento e a sustentabilidade da olericultura em benefício da sociedade brasileira. Com efeito, em três décadas de existência, a Embrapa Hortaliças deu efetiva contribuição para consolidar a olericultura como um dos segmentos mais relevantes do ponto de vista socioeconômico do agronegócio do país. De 1981 até hoje, inúmeras cultivares foram lançadas e o desenvolvimento de sistemas de produção e de manejo cultural contribuíram efetivamente para o aumento da disponibilidade e da qualidade das hortaliças no mercado brasileiro.

Em vista de demandas atuais da sociedade, a Embrapa Hortaliças vem atuando em novas áreas da fronteira do conhecimento com o desenvolvimento de estudos focados em compostos funcionais, segurança e rastreabilidade das hortaliças. Além desses temas, passou a contemplar ainda em sua programação de pesquisa aspectos relativos ao meio ambiente com ênfase aos impactos das mudanças climáticas na produção de hortaliças.

Entre os novos desafios, o chefe geral da Embrapa Hortaliças, Dr. Celso Moretti, destacou em seu discurso na cerimônia de comemoração do 30º aniversário dessa Unidade que o combate à fome, a erradicação da miséria e o desenvolvimento rural, apoiando o segmento de olericultura familiar, são temas que passaram a fazer parte da agenda de pesquisa e desenvolvimento. O chefe geral ressaltou também a ampliação dos projetos de cooperação internacional levando os avanços conquistados pela Embrapa Hortaliças para além das fronteiras brasileiras em especial para países da África, da América Latina e do Caribe.
Para cumprir sua missão institucional, o chefe geral enfatizou a importância das parcerias com os setores público e privado na captação de recursos por meio de instrumentos como a Lei de Inovação e emendas parlamentares. Ele destacou ainda a importância do Programa de Crescimento e Fortalecimento da Embrapa - PAC Embrapa como instrumento de revitalização da Unidade, com a aplicação de recursos financeiros para reestruturação da parte física, além da contratação de pessoal.

Cabe-nos, de resto, enaltecer os autores dessa história de sucesso da Embrapa Hortaliças que são seus pesquisadores e pessoal de apoio. Todavia, nas mãos da nova geração de pesquisadores está o grande desafio de continuar colhendo os frutos das sementes plantadas há 30 anos pelos pioneiros dessa Unidade, muitos já aposentados e outros que já não se encontram entre nós.

A diretoria da ABH, em nome de seus associados, se congratula com todos os pesquisadores e servidores da Embrapa Hortaliças que, graças ao esforço de seu trabalho contribuíram de maneira decisiva para o desenvolvimento da olericultura nacional.

Paulo César Tavares de Melo
Presidente ABH

Fonte: Revista Cultivar HF, junho-julho,2011, Ano X, Nº 68, p.37.

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