Associação Brasileira de Horticultura | Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018  
 
 
 
 



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ABH INFORMA » Diretoria da ABH Estimula Indicações ao "Prêmio Marcílio Dias" para o 47º CBO

Trata-se do Prêmio máximo outorgado pela Associação Brasileira de Horticultura - ABH a profissionais que efetivamente têm colaborado para o avanço da olericultura nacional. O nome desse prêmio homenageia o ilustre melhorista do Instituto de Genética da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Professor Marcílio de Souza Dias.

Desde que foi instituído, já foram agraciados com o "Prêmio Professor Marcílio de Souza Dias" os seguintes associados:




Como pode ser visto na lista acima, desde 2003 nenhum associado foi agraciado com o Prêmio "Professor Marcílio de Souza Dias". Por isso, a ABH estimula os associados a fazerem a indicação de nomes, considerando o conjunto da obra de profissionais que têm efetivamente contribuído para o avanço da olericultura brasileira e sua atuação no âmbito da Associação.

• Veja AQUI o regulamento do Prêmio Marcílio de Souza Dias



Um cientista singular


Na comemoração do primeiro centenário da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ) da Universidade de São Paulo, em 2001, essa renomada instituição, decidiu homenagear, com todas as honras, um discreto professor que nela fez carreira entre 1945 e 1974 e se destacou, como poucos, numa área de valor estratégico. O texto que segue foi extraído do artigo intitulado "Um cientista singular" de autoria do jornalista Marco Aurélio Nogueira publicado no Jornal da Tarde, São Paulo, 23 de junho de 2001.

Ainda que não tenha seu nome reconhecido pelos brasileiros, o professor Marcílio Dias (1915-1974) responsabilizou-se por importantes pesquisas de melhoramento genético de hortaliças. Ele praticamente "inventou" parte do que hoje freqüenta a mesa do brasileiro. No final da década de 50, trouxe da Europa inúmeras sementes de tomate, alface, brócolis, couve-flor, cenoura, cebola e berinjela, submetendo-as a técnicas pioneiras de aperfeiçoamento genético e aclimatação. O professor Marcílio dedicou-se incansavelmente ao trabalho e em meados dos anos 60 suas sementes começaram a ser usadas pelos agricultores. Se antes aquelas hortaliças eram colhidas apenas no inverno e em regiões frias, depois das pesquisas elas passaram a ser cultivadas no Brasil todo e em qualquer época do ano. Foi uma revolução, que modificou nossa dieta e ajudou a dinamizar diversas regiões agrícolas do país.

O professor Marcílio Dias foi um cientista singular. Formado pela própria ESALQ em 1943, especializou-se em citologia e genética de hortaliças. Não era um homem de gabinete. Fazia questão de associar a pesquisa ao estudo pormenorizado do campo e das pessoas a quem se dirigiria a pesquisa. Visitava regularmente as áreas produtoras de hortaliças em São Paulo, Minas, Pernambuco, com o propósito de entrar em contato com os lavradores, levar sugestões e trazer informações para o planejamento de novos projetos. Seus viveiros na ESALQ eram freqüentados por inúmeros produtores e trabalhadores rurais, que o professor Marcílio recebia como amigos e parceiros de pesquisa.

A medalha Luiz de Queiroz, recebida por sua viúva, Olívia Dias, no dia 3 de junho de 2001, está em ótimas mãos. Trata-se de uma homenagem mais que merecida. Patrocinada pelo governo estadual, fixa um parâmetro de excelência para a pesquisa agrícola e é concedida a partir de critérios rigorosos de decisão. Em seus cinqüenta anos de existência, a medalha contemplou apenas cinco profissionais da área.

O professor Marcílio não viveu o suficiente para ver o êxito prático de seus empreendimentos, nem para obter o completo reconhecimento acadêmico e científico. Quando faleceu, em 1974, o aproveitamento de suas sementes estava apenas no início. Ele integrou um grupo que hoje escasseia na universidade: o dos pesquisadores abnegados entregues ao trabalho e desinteressados da carreira formal, da política institucional e do prestígio. Tratava-se de um intelectual raro, que se isolava para poder crescer. Deixou literalmente de lado a carreira, apenas obtendo a titulação formal no final da vida, por mérito.

Foi um exemplo de cientista que jamais se recolheu à torre de marfim dos sábios e sempre fez questão de ir onde o povo estava. Para ouvi-lo, aprender com ele e a ele entregar o fruto maior de seu trabalho.


Data de Publicação: 06/09/2006   Fonte: ABH

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