Associação Brasileira de Horticultura | Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018  
 
 
 
 



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ABH INFORMA » ABH Homenageia o Departamento de Genética da ESALQ pelos seus 70 Anos

O aniversário de 70 Anos do Departamento de Genética da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ), Piracicaba, SP, será comemorado nos dias 9 e 10 de outubro, durante o 23º Encontro sobre Temas de Genética e Melhoramento.

As atividades do Departamento de Genética iniciaram-se em 1936, tendo como seu principal mentor Friedrich Gustav Brieger, alemão que imigrou para o Brasil com uma leva de pesquisadores estrangeiros. Juntos, fundaram a Universidade de São Paulo (USP). Naquele ano teve início um ciclo virtuoso de grandes realizações e conquistas sem precedentes na Genética Vegetal no Brasil.

Em 1938, o Prof. Brieger organizou o Setor de Melhoramento de Hortaliças, tendo como colaborador o Prof. José T. Amaral Gurgel. O início das atividades de melhoramento de hortaliças nesse setor coincidiu com a eclosão da II Guerra Mundial, em fins de 1939. Até essa época, o abastecimento de hortaliças no Brasil dependia de importações de sementes da Europa, que foram interrompidas com o agravamento da guerra. Esse acontecimento contribuiu decisivamente para mudar de forma profunda o perfil da olericultura nacional. A partir de 1944, Marcílio de Souza Dias, engenheiro agrônomo recém diplomado pela ESALQ, foi contratado para assumir, com dedicação exclusiva, o Setor de Melhoramento de Hortaliças. O Prof. Marcílio começou o programa sob sua responsabilidade com a introdução, da Europa e Estados Unidos, de inúmeras cultivares de couve-flor, alface, repolho, brócolis, tomate, berinjela, cenoura, cebola e berinjela, submetendo-as a técnicas pioneiras de melhoramento genético e aclimatação. Em 1959, o Prof. Hiroshi Ikuta foi contratado como seu assistente, ficando responsável pela, hoje extinta, Estação Experimental de Hortaliças do Instituto de Genética, em Mogi das Cruzes, SP. Á época, em Mogi das Cruzes, localizava-se a mais importante zona de produção de hortaliças do cinturão verde de São Paulo. Nessa região havia se estabelecido um dos mais importantes redutos de imigrantes japoneses dedicados ao cultivo de hortaliças. O Prof. Ikuta era parte dessa comunidade nipônica onde mais tarde se tornaria um de seus líderes mais respeitados. O apoio e o interesse da comunidade japonesa foram de importância fundamental para o enorme sucesso obtido pelo Prof. Marcílio Dias e sua equipe.

Os frutos do incansável trabalho do Prof. Marcílio Dias e de seus colaboradores começaram a aparecer a partir dos anos 60, quando suas cultivares extrapolaram os limites do estado de São Paulo e passaram a ser cultivadas em outras regiões do Brasil.

Em 1965, Cyro Paulino da Costa juntou-se à equipe do Prof. Marcílio Dias, tornando-se um de seus discípulos mais importantes. O Prof. Cyro Paulino da Costa deu continuidade à linha de melhoramento de hortaliças do Departamento de Genética após o falecimento do Prof. Marcílio Dias, em 1974. Além do desenvolvimento de cultivares de cebola, alface, tomate industrial e abobrinha, o Prof. Cyro teve atuação destacada na formação de profissionais exclusivamente em melhoramento genético de hortaliças, com a orientação de 35 teses e dissertações, até a sua aposentadoria, em 1996. Desde essa época, o Departamento de Genética descontinuou seus programas de melhoramento de hortaliças e não repôs, até a presente data, um docente para essa importante disciplina. As suas inestimáveis contribuições à olericultura brasileira caíram no esquecimento, o que fica evidente na programação do 23º Encontro que será realizado em breve, onde o melhoramento de hortaliças não é contemplado. Vale lembrar que o Prof. Marcílio Dias foi homenageado com todas as honras como o Pesquisador do Primeiro Centenário da ESALQ, em 2001. Conforme escreveu o jornalista Marco Aurélio Nogueira no artigo intitulado "Um cientista singular", publicado no Jornal da Tarde, São Paulo, 23 de junho de 2001, "o professor Marcílio Dias integrou um grupo que hoje escasseia na universidade: o de pesquisadores abnegados entregues ao trabalho e desinteressados da carreira formal, da política institucional e do prestígio. Foi um exemplo de cientista que jamais se recolheu à torre de marfim dos sábios e sempre fez questão de ir onde o povo estava. Para ouvi-lo, aprender com ele e a ele entregar o fruto maior de seu trabalho".

A Associação Brasileira de Horticultura (ABH), desde 1979, outorga o "Prêmio Marcílio de Souza Dias" a profissionais com contribuição efetiva para o avanço da olericultura brasileira e com atuação destacada no âmbito da Associação.

A Associação Brasileira de Horticultura (ABH) homenageia o Departamento de Genética pelos seus 70 anos de reputação consolidada como um dos mais importantes centros de ensino e pesquisa, responsável pela formação de gerações de cientistas e docentes em várias especialidades do campo da genética e melhoramento. Deixamos, aqui, o reconhecimento de vários ex-alunos de pós-graduação associados à ABH, que atuam em diferentes instituições de ensino e pesquisa e em empresas privadas espalhadas por todo o país e América Latina.

Finalmente, essa homenagem se completa com a divulgação de várias imagens que compõem o acervo da memória da ABH e que evoca uma época de grandes acontecimentos e contribuições do Setor de Melhoramento de Hortaliças do Departamento de Genética da ESALQ.

- Veja AQUI as foto do acervo da memória da ABH -




Paulo César Tavares de Melo
Presidente da ABH
Professor do Departamento de Produção Vegetal da USP/ESALQ
Mestrado (1978) e Doutorado (1998) pelo Departamento de Genética da USP/ESALQ



Data de Publicação: 05/10/2006   Fonte: ABH

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