Associação Brasileira de Horticultura | Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018  
 
 
 
 



OPINIÃO » Mato Grosso Consome Muito Agrotóxico

  
  
Mato Grosso é um dos principais consumidores de agrotóxicos do país, mas, em compensação, é também detentor de um dos mais altos índices de devolução de embalagens vazias. No primeiro semestre de 2005, Mato Grosso disputou a primeira colocação com o Paraná. Porém, de acordo com as últimas estatísticas do coordenador do recebimento de embalagens vazias, o Inpev, assumiu a liderança.

Em setembro foram entregues 314.410 lavadas e 17.910 contaminadas, totalizando 332.320 embalagens. Já o Paraná, entregou 265.924. No entanto, nos próximos meses a entrega de embalagens deve cair, devido à redução das áreas de plantio de algumas regiões do país, inclusive em Mato Grosso, por causa da crise que afeta a agricultura.

A destinação final das embalagens vazias de agrotóxicos é um procedimento complexo que requer a participação efetiva de todos os agentes envolvidos na fabricação, comercialização, utilização, licenciamento, fiscalização e monitoramento das atividades relacionadas com o manuseio, transporte, armazenamento e processamento dessas embalagens.

Fiscalização
Se ao Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias – Inpev cabe a coordenação do recolhimento das vasilhas, a fiscalização do processo em Mato Grosso fica a cargo do Instituto de Defesa Agropecuária – Indea. É este órgão que verifica se o repasse das embalagens pelo agricultor tem sido feito com rigor aos postos indicados pela revenda.

De acordo com o engenheiro agrônomo do setor de regulamentação de empresas do Indea, Amandio Pires Junior, “o Indea só registra e fiscaliza, e quem coordena as centrais e associação de revendas é o Inpev”.

Enquanto os postos de coletas recebem, as centrais classificam, enfardam e mandam as embalagens vazias para a reciclagem. Ou seja: depois de recolhidas pelos postos, são remetidas às centrais para que sejam encaminhadas para a reciclagem e são transformadas numa série de produtos. Ou incineradas.

Para acompanhar o caminho percorrido pelas embalagens – da compra à devolução – o Indea acaba de criar um suporte que vai monitorar o cruzamento de dados do módulo de revenda e o módulo das centrais de devolução.

No prazo de 30 dias será desenvolvido como um projeto-piloto nos postos de coleta de Cuiabá e Campos de Júlio e nas centrais de Rondonópolis e Sapezal. Depois resta apenas seu aperfeiçoamento, pois sua adoção é certa.

É que a preocupação com a destinação final correta para as embalagens vazias de agrotóxicos deve ser rigorosa, pois visa reduzir danos à saúde das pessoas e de contaminação do meio ambiente. Como a maioria das embalagens é lavável, é fundamental a prática da tríplice lavagem para a devolução e destinação final correta.

Estado precisa de mais postos de coletas
Pelo menos 20 municípios no Estado já contam com postos ou centrais de coleta de embalagens vazias de agrotóxicos. Mas ainda assim, a demanda para criação de novos pontos cresce, a cada ano.

Conforme o engenheiro agrônomo Amandio Pires Junior, em locais onde a produção agrícola é menos expressiva, ou que existem assentamentos, novas alternativas vêm sendo formuladas para a agilização do recolhimento de embalagens vazias. Para isso, segundo ele, deve ser implantado dentro em breve, um sistema de coletas itinerantes.

“Quanto às centrais, o Estado está bem servido. O que faltam ainda são postos, pois o de Campos de Júlio, por exemplo, deve se tornar uma central. Para suprir a necessidade dos postos, em Matupá há um pronto, enquanto o de Alto Taquari está em construção”, destaca Amandio Junior.

O engenheiro agrônomo destaca que mesmo com a criação de novas alternativas o agricultor deve se conscientizar e construir já em sua propriedade um local para estocar as embalagens. “O depósito deve ser edificado em local cercado, com piso cimentado e coberto” – ressalta. E ao tempo em que as embalagens vão sendo utilizadas, devem ser lavadas. “Isso ocorre na hora da aplicação e para isso há um tanque de pulverização”, explica ele.

Penalidades
A nova legislação federal é severa e disciplina a destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos, inclusive definindo responsabilidades para o agricultor, o revendedor, o fabricante e para o governo na questão de educação e comunicação. O não cumprimento destas responsabilidades poderá implicar em penalidades previstas também na legislação específica e na lei de crimes ambientais (Lei 9.605 de 13/02/98), como multas e até pena de reclusão.

Se o consumidor devolve a embalagem sem lavar, esta será aceita, porém o agricultor será notificado. Se chegar a causar danos para o meio ambiente, poderá ser autuado em no mínimo 100 UPFs (Unidade Padrão Fiscal), que equivalem a cerca de R$ 2.670,00.

Há alguns anos em Mato Grosso muitas embalagens vazias de agrotóxicos eram encontradas jogadas à beira das rodovias, mas segundo Amandio Junior “a situação está mais controlada”. Mesmo nesta situação, era possível a identificação do comprador por meio do lote. Ele explica que no programa instalado nos computadores pelas revendas, qualquer compra é registrada – isso está garantido por uma instrução normativa – e logo as informações quanto ao tipo de produto, para quem foi vendido, quantidade e volume são repassadas ao Indea. “Esse procedimento serve tanto para fiscalização quanto para devolução” – ressalta.

Investimentos na defesa do meio ambiente
As indústrias de agroquímicos devem investir US$ 25 milhões até 2006 no programa de recolhimento e reciclagem de embalagens vazias de agrotóxicos. Assim como o recolhimento, o objetivo da reciclagem é evitar prejuízos ao meio ambiente, na medida em que os resíduos de produtos químicos podem retornar aos campos e lençóis freáticos, prejudicando a natureza.

Antes as embalagens recolhidas em Mato Grosso eram remetidas a uma indústria recicladora em Louveira, interior de São Paulo. Agora, porém, ficam por aqui mesmo, com a instalação recentemente no Distrito Industrial de uma empresa do ramo de reclicagem.

Inúmeros objetos podem ser produzidos a partir da reciclagem de embalagens vazias de agrotóxicos, como a corda de pead mono, conduíte, mourão de cerca (madeira plástica), tampas, embalagem para óleo lubrificante, corda de pet, duto, saco plástico para lixo hospitalar, barrica de papelão e até eletrotubo para telefonia.

Como lidar com as embalagens
O que o agricultor deve fazer após usar as embalagens?

Ele deve preparar as embalagens vazias para devolvê-las nas unidades de recebimento. Em se tratando de embalagens rígidas laváveis, o agricultor deve efetuar a lavagem das embalagens (tríplice lavagem ou lavagem sob pressão). Já as embalagens rígidas não-laváveis devem ser mantidas intactas, adequadamente tampadas e sem vazamento. Já as flexíveis contaminadas devem ser acondicionadas em sacos plásticos padronizados.

Depois, o produtor deve devolvê-las com suas respectivas tampas e rótulos para a unidade de recebimento indicada na Nota Fiscal pelo canal de distribuição, no prazo de até um ano, contado da data de sua compra. Se, após esse prazo, permanecer produto na embalagem, é facultada sua devolução em até 6 meses após o término do prazo de validade.

O que fazer com as sobras da aplicação ?
No caso da calda no tanque do pulverizador o seu volume deve ser calculado adequadamente para evitar grandes sobras no final de uma jornada de trabalho. O pequeno volume de calda que sobrar deve ser diluído em água e aplicado nas bordaduras da área tratada ou nos carreadores. Se o produto que estiver sendo aplicado for um herbicida, o repasse em áreas tratadas poderá causar fitotoxicidade e deve ser evitado. Nunca jogue sobras ou restos de produtos em rios, lagos ou demais ambientes aquáticos. Se a sobra for um produto concentrado, este deve ser mantido em sua embalagem original. Certifique-se de que a embalagem está fechada adequadamente e armazene a embalagem em local seguro.

Como fazer a trípice lavagem?
a) Esvazie completamente o conteúdo da embalagem no tanque do pulverizador;
b) Adicione água limpa à embalagem até ¼ do seu volume;
c) Tampe bem a embalagem e agite-a por 30 segundos;
d) Despeje a água de lavagem no tanque do pulverizador;
e) Faça esta operação 3 vezes; e
f) Inutilize a embalagem plástica ou metálica, perfurando o fundo.

Quais são os postos e centrais de coleta disponíveis para entrega das embalagens no Estado?

Postos: Cuiabá, Água Boa, Campos de Júlio, Tapurah e Sinop. Centrais: Sapezal, Mirassol D´Oeste, Rondonópolis, Campo Verde, Primavera do Leste, Diamantino, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Canarana, Campo Novo do Parecis e Tangará da Serra.

Data de Publicação: 04/11/2005   Fonte: Folha do Estado - Lidiane Barros

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