Associação Brasileira de Horticultura | Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018  
 
 
 
 



PESQUISA » Beterraba Híbrida - Uma Espécie que Pode Dar Certo.

  
  
Cultivada o ano todo em cerca de 540 hectares, e no Brasil em torno de 18 mil hectares. A produção em Brasília está em 11.750 toneladas, segundo dados da Emater - DF e, no Brasil, em 280 mil toneladas.

Embora a beterraba seja adaptável ao cultivo nas mais diversas condições ambientais brasileiras, a produtividade desta cultura é 40 a 50% menor quando cultivada no período de verão, onde ocorre maior umidade e temperatura elevada, o que favorece a ocorrência de doenças e pragas.

Países desenvolvidos são os maiores produtores de beterraba híbrida, especialmente aqueles de clima mais ameno. Nos países quentes também se nota um crescimento rápido neste cultivo devido ao desenvolvimento de cultivares mais adaptadas ao calor.

Clima e época de plantio

A planta da beterraba é tipicamente bienal, exigindo um período de frio intenso para passar à etapa reprodutiva do ciclo, quando ocorre a emissão do pendão floral, com produção de sementes. De acordo com Fernando Antonio Reis Filgueira, engenheiro agrônomo fitotecnista, Msc em Olericultura e Doutor em Produção Vegetal, isto ocorre tão somente nos Estados do extremo sul. "Na etapa vegetativa, há o desenvolvimento de folhas alongadas, ao redor de uma caule diminuto, e da parte tuberosa, utilizável", acrescenta.

A cultura se desenvolve melhor sob temperaturas amenas ou baixas, apresentando resistência ao frio intenso e a geadas leves. O calor é um fator limitante para a maioria das cultivares. "Assim, quando plantada sob temperatura e pluviosidade elevadas, ocorre a destruição prematura das folhas por doenças fúngicas, e as beterrabas apresentam má coloração interna, com anéis claros. Em tais condições adversas, o sabor também é afetado, tornando-se menos doce", ensina o agrônomo.
Na maioria das regiões produtoras, no centro-sul, planta-se durante o outono-inverno especialmente naquelas regiões de baixa altitude. Em regiões de altitude elevada, de acordo com Fernando Filgueira, é possível plantar ao longo do ano, inclusive durante o verão.



Cultivares e híbridas

Há poucas cultivares desenvolvidas no Brasil. A maioria delas é de origem norte-americana ou européia, sendo as sementes importadas. A tradicional cultivar Early Wonder, da qual há algumas seleções diferenciadas comercializadas pelas empresas, tornou-se padrão de qualidade. É precoce, com raízes globulares e de coloração purpúrea, interna e externamente. As folhas são eretas, alongadas, de tamanho uniforme e coloração verde-escura, que se prestam ao preparo de maços, em algumas seleções. Essas folhas também são comestíveis, sendo mais ricas em nutrientes que a própria beterraba.

"Atualmente estão sendo introduzidas novas cultivares híbridas, que apresentam boa adaptação a regiões serranas de altitude. Também demonstra maior resistência a doenças fúngicas foliares e maior precocidade, em relação às cultivares tradicionais. Produz beterrabas com bela coloração uniforme, sem anéis concêntricos mais claros, como ocorre em outras cultivares", comenta Fernando Filgueira.

De acordo John Justin Erb, representante da Bejo Sementes, entre as vantagens da produção de beterrabas híbridas está a uniformidade, melhor padrão, melhor qualidade em termos de coloração interna e externa (muito importante para indústria), ausência de anel branco, não passa do ponto de colheita tão rapidamente (ou seja, mais flexibilidade na colheita), inserção menor, que resulta numa aparência melhor depois de ser cortado, resistência à cercospora, mais produtivos quando produzidos na época adequada. Segundo John Justin, poucas cultivares funcionam o ano todo.


Para ele, vai crescer muito rapidamente o cultivo desta beterraba, pois os benefícios são muitos. É bom lembrar que a diferença de preço entre cultivares e híbridas varia entre 40 e 150%. "Começa a partir de R$110,00 por 50.000 sementes, o que corresponde a 600 gramas, até mais de 1 kg, dependendo do tamanho da semente (aproximadamente 600 gr para semente de 3,0 - 3,5mm; 800 gr para semente de 3,5 - 4,0 mm e 1.000 gr para semente de 4,0 - 4,5mm)", revela.

Marcelo Kengi Tagima é produtor rural em Mogi das Cruzes - SP, na Chácara Tagima. Entre seus investimentos está o cultivo de beterraba em 20 hectares. Para ele, as híbridas são a saída para quem quer produzir no Brasil, principalmente em épocas de inverno. No verão torna-se praticamente impossível a produção desta hortaliça, primeiro porque ela não se porta bem no calor e, segundo, porque seu florescimento é evitado pelas altas temperaturas.

Para Kengi Tagima, o padrão das híbridas se mostra muito melhor que as convencionais, além de uma produtividade mais alta. Ele enumera ainda como vantagens a coloração interna mais avermelhada, padrão de raiz e as folhas mais verdes e vistosas, ponto importante para quem a comercializa em maços. "Consigo um melhor valor agregado, já que os consumidores preferem uma hortaliça mais bonita visualmente e a híbrida tem padrão de cor, formato, raiz e folhas. No quesito nutrição as híbridas também não perdem em nada", diz o produtor.

Kengi Tagima lembra que, mesmo sendo o preço das sementes superior, compensa. Isso porque, no inverno, o preço das hortaliças cai, desanimando muitos produtores. Sabendo desta deficiência no mercado, ele investe em produtividade e qualidade de sua beterraba e consegue um escoamento mais facilitado.

A nova cultivar Itapuã 202 de Verão é a única de origem nacional, sendo as sementes produzidas no Rio Grande do Sul. Após alguns ciclos de seleção de 'raízes genéticas', iniciados em 1985, os fitomelhoristas obtiveram algumas características desejáveis: tolerância à cercosporiose, que é o principal problema fitossanitário; maior tolerância ao calor, em comparação às cultivares importadas, diminuição de anéis brancos na raiz tuberosa, fixando-se a coloração vermelha uniforme; e coloração verde acentuada nas folhas, atrativa em contraste com o vermelho das raízes, na comercialização em maços. Segundo Fernando Filgueira, é desejável que ensaios de avaliação de cultivares nas diversas regiões produtoras passem a incluir essa cultivar brasileira, especialmente conduzidos

Fonte: Revista Campo & Negócios online

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