Associação Brasileira de Horticultura | Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014  
 
 
 
 


GERAL » Tomate Cereja - Sabor e Rentabilidade no mesmo Produto

O grande diferencial do tomate cereja é ser muito saboroso e adocicado, a ponto de ser consumido como fruta ou como tira-gosto. Enquanto o tomate tradicional possui grau brix entre 4 e 6, as variedades cereja possuem doçura suficiente para chegar entre 9 e 12 graus brix, que indica a concentração de sólidos solúveis totais, principalmente os açúcares. Isso faz toda a diferença e, pelo mundo, esse tomatinho passou a ser consumido como uvas, além de também enfeitar e dar um toque de classe nas saladas.

Potencial produtivo

Para o engenheiro agrônomo Luiz Dimenstein M.Sc.Agr, consultor da Dimesntein Consultoria Ltda, o potencial genético das variedades de tomate cereja, aliado a um tratamento agrotécnico intensivo, garante uma capacidade produtiva de cerca de 1/3 em relação ao tomate comum. "Em campo aberto, sob irrigação localizada por gotejamento, que é o sistema de irrigação mais adequado para o cultivo de tomates, as produtividades podem alcançar de 40 a 60 toneladas por hectare para os tomates cerejas, enquanto podemos chegar entre 120 a 180 toneladas por hectare para os tomates comuns. As variações dependem principalmente do material genético e do método de cultivo, se estaqueado, ou não", explica o consultor.

Há possibilidades de cultivar tomate tutorado em campo aberto e em estufas para as variedades indeterminadas, prolongando o período de cultivo e aumentando as produtividades. Em estufas, pode-se chegar a produtividades entre 130 a 150 toneladas por hectare para os tomates cereja e entre 400 a 450 toneladas para os tomates comuns, desde que se adote o método holandês de cultivo contínuo para variedades indeterminadas e se prolongue o período de cultivo por até 1 ano.

Método Holandês em Estufas

No método holandês, no alto da estufa são esticados cabos ou arames que estarão firmemente presos na estrutura da estufa. O método holandês consiste em um sistema de tutorar, no qual a planta ao atingir a altura máxima da estufa tem a possibilidade de continuar o seu crescimento através de cultivo em uma única haste para variedades de hábito indeterminado.

O tomateiro, por ter seu caule bem flexível, se adapta bem a essa técnica e pode ser cultivado seguindo uma certa inclinação em vez de no sentido vertical tradicional e com ganchos de tutorar com alguns metros de fitilho enrolados. Na primeira etapa, diz Luiz Dimenstein, o fitilho é desenrolado o suficiente para que do alto da estrutura da estufa, o fitilho chegue até o solo, onde a planta é presa ao fitilho, apenas enrolando no caule.

A técnica consiste em cultivar o tomateiro sobre um canteiro de filas duplas, sendo uma fila seguindo uma inclinação em um sentido e a outra fila em sentido oposto. "A planta, ao atingir a altura de 40 centímetros, já se mantém em pé com ajuda de suas próprias raízes, nessa fase se estende o fitilho do alto da estufa, seguindo uma inclinação de 30 graus na mesma fila e 30 graus em sentido contrário na fila oposta, porém no mesmo canteiro. Deve-se dar voltas com o fitilho ao longo do caule, evitando estrangulamento do mesmo", ensina o consultor.

Uma semana antes da colheita do primeiro cacho de tomates, aproximadamente dois meses e meio a três meses após o semeio, devem-se eliminar todas as folhas velhas e secas, deixando o caule próximo ao solo sempre limpo. Nessa ocasião, o fitilho passa a ser liberado e desenrolado do gancho no alto da estufa cerca de 50 cm por semana e, a cada colheita do segundo, do terceiro cachos, a operação se repete, mantendo os cachos em colheita em até um metro do solo, com o acamamento da parte baixa da planta cujo caule deve ser mantido limpo.

Luiz Dimenstein detalha que, após a liberação de cerca de 50 cm de fitilho, o gancho é deslocado e desliza pelo cabo ou arame de tutorar, iniciando um jogo de empurra-empurra com as plantas vizinhas dentro da mesma linha até fazer a curva no final da linha e, então, o gancho é transferido para o cabo da fila do lado que é deslocado em sentido oposto, porém no mesmo canteiro de filas duplas. "Sugiro uma população variável de plantas entre 1700 a 2400 por cada 1.000 m2 de estufa", recomenda Luiz Dimenstein.

Manejo Nutricional

O fator nutricional deve ser considerado com muita seriedade. O sistema de irrigação por gotejamento é fundamental, e este permite a prática da fertirrigação com o fornecimento dos macro e micronutrientes em concentrações adequadas, sem risco de salinização com controle da condutividade elétrica (CE) e do pH na solução do solo. O manejo adequado de fertirrigação permite também efetuar correções nutricionais ao longo do cultivo, com muita rapidez e facilidade como deficiência de cálcio causando o fundo preto nos frutos, além de disponibilizar os nutrientes em geral de modo consistente e eficaz.

"Em campo aberto, como na maioria dos casos no Brasil, temos a opção de utilizar o cultivo sob mulching que garante uma economia de água da ordem de 20 a 25% em relação ao mesmo cultivo com gotejamento sem o mulching. Mulching mais adequado para tomates seria o filme plástico para cobrir o canteiro, com cor preta voltada para baixo e cor branca para cima. Esse mulching também evita disseminação de ervas daninhas próximas aos tomateiros", justifica Luiz Dimenstein.

O tomate cereja deve obedecer algumas regras nutricionais via fertirrigação, ou, mais especificamente, efetuar uma "nutrigação", que seria aplicação de fertilizantes solúveis 100% nutrientes. As principais fontes de Potássio (K) são Nitrato de Potássio e Sulfato de Potássio. As principais fontes de Fósforo (P) são MAP purificado e MKP (Mono Potássio Fosfato). Fontes de Fósforo comuns na versão granulada devem ser evitadas. A adubação de base ou fundação não é necessária.

O consultor diz que o total dos nutrientes deve ser fornecido na versão solúvel. A principal fonte de Cálcio é o Nitrato de Cálcio. Magnésio pode ser fornecido via Nitrato de Magnésio e Sulfato de Magnésio. Nitrogênio, normalmente já vem como nutriente acompanhante em outros fertilizantes nos Nitratos de Potássio, de Cálcio, de Magnésio e como Amônio no MAP purificado. Contudo, se houver necessidade de mais Nitrogênio, pode-se optar por Uréia ou Nitrato de Amônio.

Veja abaixo uma comparação das necessidades de fornecimento dos principais nutrientes, para atingir dois níveis de produtividades estimadas em tomate cereja irrigado em campo aberto, a considerar como exemplos: 40 ou 60 toneladas por hectare, deve-se aplicar esses níveis de nutrientes para alcançar a meta estimada.


Fonte: Revista Campo & Negócios

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