Associação Brasileira de Horticultura | Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018  
 
 
 
 



DESTAQUE » Cebola: Como Escolher a Melhor Variedade?

A cebola (Allium cepa L.) é uma das plantas cultivadas de mais ampla difusão no mundo, sendo a segunda hortaliça em importância econômica, com valor da produção estimado em US$ 6 bilhões anuais. A cebola é uma planta extremamente versátil em termos alimentares e culinários, sendo utilizada para consumo in natura na forma de saladas, de temperos ou processada.

Devido às suas características de boa conservação pós-colheita (permitindo transporte dos bulbos a longas distâncias), a cebola foi historicamente uma das hortaliças com maior trânsito global, estando envolvida em transações comerciais entre países de todos os continentes. Esta cultura figura entre as primeiras plantas cultivadas introduzidas na América a partir da Europa, levada inicialmente por Cristóvão Colombo para o Caribe.

O Brasil no contexto da cebola

A semente de cebola produzida no Brasil é de alta qualidade. Empresas e produtores nacionais têm alcançado alta qualidade no produto com preços altamente competitivos, que podem chegar a até 20% do preço das sementes importadas. Ainda, nacionalmente, contamos com as cultivares certificadas, desenvolvidas pelos órgãos de pesquisa oficiais, que confiam nos técnicos do governo os trabalhos de melhoramento e experimentação das cultivares certificadas, dando assim demonstrações da condição de produzir com excelente qualidade.

Mas, analisa Rubem Dari Wilhelnsen, diretor de produção das Sementes Lotário, "apesar dos avanços conseguidos, estamos conscientes de que muito ainda precisa ser feito para afirmar que o Brasil se tornará totalmente auto-suficiente na produção de sementes de cebola. Ainda importamos as sementes híbridas que por instante não são produzidas no país".

A pesquisa brasileira tem trabalhado a qualidade de conservação, produtividade, sanidade e ciclos. Algumas, inclusive, já estão dando andamento em testes para desenvolver sementes híbridas para diferentes épocas de plantio. Se o objetivo for atingido, provavelmente o Brasil fará frente à semente importada.

Tipos de cebola

O desempenho da cultura da cebola é condicionado pela adaptação da cultivar às condições agroecológicas e agrotecnológicas vigentes. Nesse sentido, as empresas produtoras de sementes têm desenvolvido ou introduzido cultivares adaptadas às diversas regiões. Com as facilidades atuais de importação da Argentina, a escolha da cultivar tornou-se ainda mais crítica, já que o produto nacional deve competir em qualidade e preço. Conforme a duração do ciclo e a exigência fotoperiódica, as cultivares plantadas no Brasil podem ser didaticamente reunidas em três grupos:

• Cultivares precoces: o ciclo é curto, com duração de 4-5 meses, da semeadura à colheita. São as cultivares menos exigentes em fotoperíodo, desenvolvendo bulbos sob 10-11 horas de luz. Características: plantas mais suscetíveis à queima-de-alternária; bulbos de coloração externa bem clara; baixo teor de matéria seca; sabor muito suave, preferido por certos consumidores; baixa capacidade de conservação dos bulbos, e alcance de menores cotações nos mercados. As cultivares precoces apresentam ampla adaptabilidade ao cultivo em diversas regiões brasileiras.

• Cultivares de ciclo mediano: Fernando Filgueira informa que esta possui ciclo de 5-6 meses e exigência fotoperiódica de 11-13 horas. Características: mediana resistência à queima-de-alternária; bulbos de coloração mais acentuada; teor mediano de matéria seca; sabor mais pungente; melhor conservação e bulbos mais valorizados no mercado. As cultivares desse grupo apresentam adaptabilidade geográfica mais restrita, sendo o fotoperíodo o fator limitante à cultura, o que pode ser exemplificado com as cultivares não-híbridas:

• Cultivares tardias: apresentam ciclo mais longo, de 6-8 meses, e são as mais exigentes em fotoperíodo – acima de 13 horas. Características: alta resistência à queima-de-alternária; e bulbos de coloração escura, com alto teor de matéria seca, sabor muito acentuado, ótima conservação e altamente valorizados na comercialização. As cultivares tardias apresentam adaptabilidade restrita ao extremo sul (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina), não se adaptando a cultura no centro-sul. São exemplos de cultivares tardias, não-híbridas:

Data de Publicação: 13/07/2006   Fonte: Revista Campo e Negócios online

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